sexta-feira, 11 de março de 2011

Ferida aberta

E sempre acontece o momento em que te procuro na memória como quem se distrai abrindo curioso a casca de uma ferida. Como se nunca tivesse feito isso antes, sou pego de surpresa pela mesma dor. Não outra. A mesma, que lateja igual, embora envelhecida. Antes que possa alegar inocência, já estou me acusando de estúpido. Acaso não sei que esse é o exato motivo pelo qual não se curam tantos corações partidos e amargurados que já vi pelo mundo? Acaso não obtive o mesmo resultado com procedimentos idênticos? O que espero que aconteça de diferente?
Mas, no íntimo, sei que essas perguntas servem apenas para despistar minha consciência do que é de fato grave. Que é na dor aguda da lembrança que você deixou que resta a sobrevida do amor que podíamos ter vivido. E se muito embora eu não pretenda confrontar esse feto moribundo ao longo do dia, não posso deixar que morra de uma vez. Seja pelo medo masoquista de que não me sobre nada no escuro seja pela esperança cruel de que, se um dia você quiser voltar, poderá ressuscitá-lo.

Um comentário:

Suzi Lima disse...

Estava aqui pulando de link em link e encontrei o seu blog. Resolvi adicionar porque dizia: "escritor em andamento". Achei interessante. Todos os blogueiros são escritores...Mas,se somos bons escritores..quem poderá julgar? Talvez o número de seguidores, o número de visitas [não gosto de matemática, complicada demais pra mim]. Adicionei porque gostei e achei que poderia ler coisas interessantes aqui. Ponto.

E,sim,sobre esse texto. Pessoal? Deve ser. Difícil passar esse tipo de coisa pra ficção. O mais estranho é que me sinto impelida a te falar alguma coisa sobre isso. A te alertar que deve esquecer, deixar cicatrizar, e não mexer na casca da ferida porque ela vai sangrar, e doer.