quinta-feira, 7 de abril de 2011

Estética e canela

Estive lendo umas críticas instigantes à noção de "sentido" dentro das obras literárias. A ideia geral é que cada vez mais as obras vão se dando conta de que a busca interna de todo mundo não é de verdade por um "sentido" que coloque a vida numa perspectiva e torne possível dizer se ela valeu ou não valeu a pena. Mas também não é uma coisa de sair dizendo "Ok, não tem sentido nenhum nessa budega mesmo, let's go crazy, enfiar qualquer coisa aqui e chamar de arte". A questão na verdade é que há uma busca interna, afinal, mas é uma busca por uma estética; algo como dizer que a coisa toda - a vida, a obra de arte, a literatura, enfim - vale a pena se puder ser considerada bela de alguma forma, se construir uma estética própria ou coerente. Acho que é isso, se eu tiver entendido bem.


Tudo o que eu realmente sei é que vou sair daqui e comer dois waffles com sorvete de banana, farofa imperial, calda de caramelo e um pouquinho de canela. Sabe, pode parecer que a canela é um exagero por cima de tudo isso. Mas o fato é que é a canela que compõe a estética da obra. A coisa não é menos doce sem a canela. Aquilo é açucar para matar muitos gordinhos. Mas a sensação do belo não se traduz. Mais ou menos assim: Todos os ingredientes citados são apenas esses ingredientes postos juntos de qualquer forma, sem a canela. Com uma módica dose do pózinho marrom, contudo, a coisa toda pode ser chamada de amor. É como eu vejo.


É uma questão metafísica. Diabética, provavelmente. Mas metafísica principalmente.

2 comentários:

@maritoti disse...

Nao existira mais a cereja do bolo, o pingo do "i", ou a azeitona da empada... agora eh a canela do waffle, e tenho dito!

Marê disse...

"Com uma módica dose do pózinho marrom, contudo, a coisa toda pode ser chamada de amor. É como eu vejo." :)