quarta-feira, 27 de abril de 2011

Entram pelas frestas

Como eu queria ser Sofia Coppola. E filmar tudo com a delicadeza necessária para que a felicidade pudesse ser mostrada com a fragilidade que tinha em cada momento dessas lembranças que me assaltam na madrugada. Acho que registrar é uma forma de abrir mão de memórias que nos assombram. Fixá-las numa forma e lhes dar adeus.

Numa entrevista, perguntei a escritora Elvira Vigna, que usa confessadamente do material biográfico nas obras, como ela sabia que momento da vida merecia virar literatura. Ela me respondeu: "Primeiro: não há escolha. Segundo: Não merece. Aquilo que você escreve não merece. Não é merecer. É obsessão. É ser perseguido."

O que podia ter sido é do que a gente precisa se libertar. E eu quero acreditar que há uma chance na literatura ou na arte. Mas Elvira contou, em segredo, que um personagem ainda a perseguia. Mesmo depois de ter sido escrito em um livro, de ter virado catarse, ele voltava. E ela ainda o via pelas ruas.

"Estou fodida", declarou.

Um comentário:

Suzi Lima disse...

Sabe, uma amiga um dia me disse que haviam textos que a atormentavam para serem escritos.

Talvez, seja um pouco disso...de ser atormentado para escrever